Plantação de canábis em larga escala ao ar livre sob ventos fortes.
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Brisas e Rajadas: O Impacto do Vento nas Plantações de Cânhamo e Canábis

by Eunice Veloso on Feb 26, 2026

Há quem adore a sensação do vento no rosto ou o som da brisa a passar pelas árvores.


No entanto, para quem cultiva canábis ou cânhamo, o vento é muito mais do que um elemento romântico da natureza: é um factor determinante para o sucesso ou o fracasso da colheita.


Mas será que o vento afecta apenas as plantas ou também as pessoas que vivem perto destas culturas? A resposta é sim para ambos. Vamos entender como o ar em movimento molda este sector.

 

#1. O Vento Como "Personal Trainer" e Inimigo da Planta

A canábis não é propriamente uma "flor de estufa", mas o excesso de vento pode ser fatal. Quando a brisa é suave, funciona como um exercício físico: agita ligeiramente os caules, forçando a planta a fortalecer a sua estrutura interna para se manter firme.

Contudo, quando a brisa se torna uma ventania constante, surge o stress. O vento excessivo aumenta a transpiração da planta (o processo pelo qual ela absorve água e nutrientes).


Se a planta perde humidade mais depressa do que a consegue repor, as folhas começam a secar e a apresentar "queimaduras de vento", com um aspecto semelhante à desidratação.


Consequências do stress eólico:

  • Atrofiamento: A planta gasta tanta energia a tentar sobreviver que para de crescer.

  • Baixo rendimento: O teor de canabinoides (como o CBD ou THC) diminui drasticamente.

  • Vulnerabilidade: Um sistema imunitário enfraquecido torna a cultura um alvo fácil para pragas e doenças.


Para evitar isto, cultivadores externos utilizam redes ou sebes como quebra-ventos.

No cultivo indoor, o segredo passa por usar temporizadores nos ventiladores para evitar uma exposição constante e agressiva.

 

#2. A "Viagem" do Pólen: Um Risco Para Quem Tem Negócio

Um dos maiores desafios é a polinização cruzada.

O pólen da canábis é extremamente leve e pode viajar, através do vento, distâncias impressionantes — entre 16 a 48 quilómetros.

O problema surge quando temos uma plantação de cânhamo (focada em fibra ou semente) perto de uma plantação de canábis medicinal (focada em flores fêmeas potentes).

Se o vento trouxer pólen de plantas masculinas para as fêmeas, a energia da planta, em vez de ser usada para produzir os valiosos óleos e resinas, passa a ser usada para produzir sementes.

Esta fertilização indesejada pode reduzir a produção de óleos em cerca de 56%.

Cultivo de canabis em estufa

Este risco de contaminação é tão sério que já levou a disputas intensas em tribunais entre agricultores vizinhos, sendo uma das principais razões pelas quais muitos produtores optam hoje pelo cultivo em estufas controladas.

 

 

#3. O Vento e as Alergias Humanas

Finalmente, o vento não transporta apenas desafios económicos; transporta também pólen que afecta a saúde pública.

A forma mais comum de alergia à canábis manifesta-se como uma hipersensibilidade imediata, uma resposta do sistema imunitário que ataca as vias respiratórias e a pele.

Homem adulto a espirrar para a um lenço de papel

Durante a época de polinização, sintomas muito semelhantes aos das alergias sazonais  podem tornar-se frequentes: os espirros, ter  congestão nasal, ocorrer uma tosse seca e sentir a garganta irritada.

É também comum o aparecimento de rinite e irritação ocular (olhos vermelhos, lacrimejantes ou com comichão), além de náuseas em casos específicos.

É importante, contudo, distinguir a alergia de outros efeitos secundários da planta que não estão ligados ao sistema imunitário, como a secura ocular, a secura bocal ou a obstipação.

Esta distinção faz com que a gestão destas culturas deixe de ser apenas uma questão agrícola para se tornar um tema de saúde e interesse social.


Referências:

Escrito com a ajuda da IA

 

https://www.floraflex.com/blogs/floraflex-media/the-effect-of-wind-on-cannabis-growth-and-plant-structure?srsltid=AfmBOooJQP2ci5Ag7T8AXhbmKRZNs63ZHNUif-nqsM10W10XADw8oezw

https://blimburnseeds.com/blog/tips-and-tricks/wind-burn-cannabis-plants/

https://www.medicalnewstoday.com/articles/321343

 


AVISO: Este artigo tem carácter unicamente informativo e não deve ser interpretado como aconselhamento médico. Qualquer decisão relacionada ao uso de canábis medicinal deve ser tomada exclusivamente sob orientação do seu médico assistente.

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