Ilustração de um óvulo rodeado por espermatozóides, um teste de gravidez positivo, sapatinhos de bebé e canábis fumada numa mesa, simbolizando a relação entre canábis e fertilidade.
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Canábis E Planeamento De Gravidez? Não É Boa Ideia

by Eunice Veloso on May 14, 2026

Se está a planear uma gravidez — seja por concepção natural ou com recurso a tratamentos de fertilidade — vale a pena olhar com atenção para os hábitos de vida do casal.

Um deles, cada vez mais comum e muitas vezes percepcionado como “inofensivo”, é o consumo de canábis. Mesmo quando é moderado, ocasional, recreativo ou usado para “relaxar” e gerir o stress, a evidência científica actual sugere que a canábis pode não ser uma boa aliada quando o objectivo é engravidar.

Para muitos casais, a maioria, o consumo de canábis pode não impedir a gravidez. No entanto, em situações de subfertilidade ou infertilidade — frequentes e muitas vezes silenciosas — este pode ser mais um factor a contribuir para a dificuldade em conceber. Em muitos casos, só se descobre depois de meses de tentativas frustradas.

E quando se pensa em engravidar, importa lembrar algo simples: os homens também participam no processo. O seu corpo não muda de forma, mas também eles “engravidam”. E o consumo de canábis pode afectar tanto o potencial reprodutivo feminino como o masculino.

A gravidez é um processo natural, mas isso não significa que seja sempre fácil.

A natureza impõe regras, limites e variações individuais. Acrescentar um factor que pode interferir negativamente com esse equilíbrio não costuma ser uma boa estratégia.

 

#1. Infertilidade: Um Problema Do Casal

Fala‑se em infertilidade quando não ocorre gravidez após 6 a 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção.

As causas podem ser diversas: factores genéticos, alterações no aparelho reprodutor feminino ou masculino, disfunções hormonais, idade, doenças crónicas e hábitos de vida.

O factor psicológico também conta. O stress crónico e os estados emocionais desfavoráveis influenciam o funcionamento hormonal, essencial para a ovulação, a produção de espermatozoides e a implantação do embrião.

É aqui que muitos podem considerar a canábis como uma ajuda. O problema é que, apesar de poder induzir relaxamento a curto prazo, a canábis interfere diretamente com o sistema hormonal através do sistema endocanabinóide.

Este sistema tem um papel fundamental na regulação do equilíbrio interno do organismo (homeostase), incluindo a reprodução. Em determinados contextos terapêuticos, essa interacção pode ser útil. No contexto do planeamento de uma gravidez, não é.

 

#2. Canábis E (In)Fertilidade Feminina

Nas mulheres, os receptores do sistema endocanabinóide estão presentes nos ovários, no útero e ao longo de todo o eixo hormonal que regula o ciclo menstrual.

A investigação mostra que o tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoactivo da canábis, pode:

  • interferir com a ovulação por atraso ou inibição da ovulação: o ciclo menstrual torna-se irregular, dificultando a identificação da janela fértil.

  • alterar a regularidade do ciclo e aumentar o tempo necessário para engravidar.

  • comprometer a maturação dos óvulos

Estudos mais recentes sugerem que a presença de THC no fluido folicular — o ambiente onde os óvulos amadurecem — pode estar associada a alterações na maturação dos ovócitos e a um maior risco de erros cromossómicos, especialmente relevantes em contextos de fertilização in vitro.

Em termos simples: mesmo que haja ovulação, a qualidade do óvulo e a capacidade de gerar um embrião viável podem ficar comprometidas.

Casal jovem sentado no sofá a olhar para o resultado de um teste de gravidez com expressão de desilusão e desânimo.

#3. Canábis E (In)Fertilidade Masculina

No homem, os efeitos também estão documentados.

O sistema reprodutor masculino está repleto de receptores endocanabinóides que, quando sobrecarregados pelo consumo externo, levam a desequilíbrios hormonais e de qualidade do esperma.

O consumo de canábis tem sido associado a :

  • alterações na produção de testosterona,

  • diminuição da concentração e da mobilidade dos espermatozoides (verificam-se concentrações de espermatozoides significativamente mais baixas em consumidores regulares),

  • alterações morfologia dos espermatozóides e impacto na qualidade do material genético (espermatozoides com formas anormais ou com dificuldade em "nadar" até ao óvulo).

  • Disfunção eréctil e libido: Embora alguns refiram relaxamento, o consumo crónico está associado a dificuldades em manter o desempenho sexual.

Estas alterações podem não causar infertilidade absoluta, mas reduzem as probabilidades de fecundação e aumentam o risco de falhas precoces no desenvolvimento embrionário.

Em casais que já enfrentam dificuldades, este factor pode ser decisivo.

 

#4. Em Resumo

  • A natureza dita as suas próprias regras e o processo de gerar vida é feito com um equilíbrio biológico minucioso. E a canábis pode afectar esse balanço biológico.

  • A canábis interage com o sistema endocanabinóide, que regula funções-chave da reprodução humana.

  • O seu consumo pode afectar a fertilidade feminina e masculina, mesmo quando é moderado.

  • Em situações de subfertilidade ou infertilidade, a canábis pode ser um factor adicional de risco.

  • Se o objetivo é engravidar, reduzir ou suspender o consumo de canábis é uma decisão prudente e baseada na evidência disponível.

Planear uma gravidez é também criar as melhores condições possíveis para que ela aconteça. E, neste contexto, a canábis não parece contribuir de forma positiva.

 


Referências principais

Center for Women’s Mental Health – Using Cannabis: How Does It Affect Fertility?

https://womensmentalhealth.org/posts/using-cannabis-how-does-it-affect-fertility/

American Journal of Obstetrics & Gynecology – Impact of cannabinoids on pregnancy and reproductive health

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1047279725000341

PMC – The effects of cannabis on reproductive health

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6565391/

Escrito com a ajuda de IA.



AVISO

Este artigo tem carácter exclusivamente informativo e não deve ser interpretado como aconselhamento médico. Qualquer decisão relacionada com o uso de canábis, incluindo canábis medicinal, deve ser tomada apenas com o acompanhamento do seu médico assistente.


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