DA GENÉTICA À TECNOLOGIA: O FUTURO DA DOSAGEM PRECISA NA CANÁBIS MEDICINAL
by Eunice Veloso on Jan 29, 2026
A canábis mostra que cada corpo é único.
Quando falamos de canábis medicinal, há uma verdade que se impõe logo à partida: não existe uma experiência igual para todos. E isso começa muito antes da planta chegar ao consumidor.
#1 A Variabilidade Começa No Cultivo
Mesmo em condições controladas, nenhum agricultor consegue prever com exactidão o teor de THC que uma planta vai desenvolver.
Pode estimar, claro, mas prever ao miligrama? Impossível.
É por isso que os certificados de análise são tão importantes — garantem transparência e segurança ao consumidor.
#2 O Nosso Corpo Também Não Reage Da Mesma Forma
Dois pacientes com a mesma patologia podem ter respostas completamente diferentes à mesma dose de canábis medicinal.
Porquê?
Porque, apesar de partilharmos a mesma anatomia, o sistema endocanabinóide e o sistema nervoso são profundamente individuais.
A canábis, mais do que muitas outras substâncias, evidencia essa singularidade.

#3 A Dificuldade Da Dose “Certa”
A necessidade de precisão na dosagem — especialmente quando se procuram efeitos terapêuticos específicos — é um dos motivos que leva países mais conservadores a exigir um controlo apertado.
E mesmo quando falamos de CBD, que não causa adição, continuamos sem uma “lei universal” para a dose ideal. O que existe são orientações gerais, influenciadas por fatores como:
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peso e composição corporal
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sensibilidade individual
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concentração do produto
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condição a tratar e efeito desejado
Funciona, muitas vezes, por tentativa e erro. E essa incerteza levou muitos médicos, durante anos, a evitar a prescrição de canábis medicinal.
#4 Quando Bem Administrada, Pode Ser Uma Ferramenta Valiosa
A canábis medicinal, quando utilizada de forma responsável e acompanhada por profissionais de saúde, tem mostrado resultados positivos em pessoas com dor crónica.
E revela-se especialmente útil quando a dor crónica surge acompanhada de ansiedade, depressão e exaustão física — uma combinação frequente e altamente incapacitante.
Nestes casos, pode integrar um plano terapêutico mais amplo, ajudando a melhorar a qualidade de vida.

#5 A Tecnologia Está A Mudar O Jogo
Uma revisão publicada em 2023 na Current Issues in Molecular Biology mostrou que a genética influencia fortemente a forma como cada pessoa reage aos canabinóides e terpenos.
Os investigadores destacam que:
“A farmacogenómica pode ajudar a prever efeitos positivos e negativos dos canabinóides e identificar com precisão o melhor tratamento e dose para cada indivíduo.”
Ou seja, a farmacogenómica pode finalmente aproximar-nos da tão desejada personalização da dose.
#6 Nem Todas As Formas De Consumo São Iguais
Fumar flor de canábis continua a ser uma via possível, mas não é a mais recomendada devido aos subprodutos da combustão.
Outras vias também apresentam desafios:
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Inalação tradicional → difícil controlar a dose
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Ingeríveis → demoram a fazer efeito e podem levar a sobredosagem acidental
E quem vive com dor crónica… não quer esperar.
#7 A Nova Geração De Dispositivos De Dose Precisa
Hoje já existem inaladores seletivos de canábis capazes de entregar doses muito baixas e extremamente precisas de THC, seguindo padrões farmacêuticos rigorosos.
Estas microdoses podem oferecer analgesia eficaz e segura para quem sofre de dor crónica — sem os riscos associados a métodos menos controlados.
Estamos, finalmente, a entrar na era da canábis medicinal personalizada, onde a ciência, a tecnologia e a genética se encontram para oferecer tratamentos mais seguros e eficazes.
Referências:
Escrito com a ajuda da IA
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ejp.1605
https://businessofcannabis.com/precision-over-potency-personalised-cannabis-medicine-is-coming-of-age/
AVISO: Este artigo tem carácter unicamente informativo e não deve ser interpretado como aconselhamento médico. Qualquer decisão relacionada ao uso de canábis medicinal deve ser tomada exclusivamente sob orientação do seu médico assistente.