7 VULNERABILIDADES DA CANÁBIS QUE TODOS DEVEM CONHECER
by Eunice Veloso on Jan 15, 2026
Já sabemos que a canábis não é inócua.
Pode ser benéfica, pode ser nefasta — tal como qualquer coisa que tem valor.
O uso que se lhe dá, o contexto social, emocional ou biológico, pode representar saúde ou doença, fonte de rendimento ou abismo financeiro, liberdade física e mental ou prisão literal ou simbólica.
Embora a canábis tenha um potencial terapêutico inegável, o uso crónico sem supervisão médica apresenta riscos reais, particularmente a nível cognitivo e de saúde mental.
Este não é um blog para prestar vassalagem à canábis: é para desmistificar. Para olhar a planta pelo que é, dentro do que se vai conhecendo e estudando — no seu melhor, no seu pior e no seu “mais ou menos”.
Já aqui falámos de muitos benefícios da canábis, mas hoje focamo-nos nas vulnerabilidades. Preparámos uma lista das principais.
#1. Exposição Precoce à Canábis
A exposição precoce acontece antes do sistema nervoso estar totalmente amadurecido — o que inclui a vida intrauterina até à adolescência. Tal como qualquer estímulo forte num organismo em desenvolvimento, pode ter consequências.
Estudos associam o uso problemático a factores como sexo masculino, idade superior a 21,5 anos, início precoce do consumo, declínio da memória e níveis mais elevados de ansiedade. Aumenta também a probabilidade de desenvolver psicose na idade adulta.
Quanto mais cedo se começa, maior tende a ser o impacto no cérebro em formação e maior o risco de desenvolver padrões de uso pouco saudáveis.
#2. O Ambiente Social: A Família Onde Se Cresce e os Amigos Que Se Têm
A curiosidade faz parte da adolescência, mas o ambiente onde se cresce influencia muito a forma como essa curiosidade é explorada.
Famílias desestruturadas, relações frágeis ou grupos de amigos que normalizam consumos podem facilitar um contacto precoce e pouco consciente com a canábis.
Não é determinístico, mas aumenta a probabilidade de se desenvolver um padrão de uso que, mais tarde, pode tornar-se problemático. Quanto mais cedo se inicia, maior é o risco de adição e de dificuldades associadas.

#3. Genética
Os genes são como uma instalação elétrica: estão lá, mas só funcionam quando o interruptor é acionado.
No caso da adicção, ter familiares com historial de dependência em canábis ou noutra substância, não é uma sentença, mas aumenta a predisposição.
Parte desse risco é biológico, mas a parte mais significativa é comportamental— hábitos também se transmitem entre gerações. Mas pode optar-se por “herdar” esse comportamento, que pode ser aprendido: ou não.
O gene só “acende” quando o comportamento o activa.
Por isso, não se trata de uma maldição, mas de um alerta: o risco é maior, mas o resultado depende sempre da acção individual.
#4. Vício
A canábis pode criar dependência, sobretudo quando usada de forma frequente, em doses elevadas ou como estratégia para lidar com emoções difíceis.
O corpo desenvolve tolerância — precisa de mais para obter o mesmo efeito — e isso pode levar a um ciclo de uso crescente.
A dependência não surge de um dia para o outro, mas instala-se silenciosamente quando a planta passa a ocupar funções que deveriam ser do autocuidado, da regulação emocional ou do suporte social. A vulnerabilidade existe e deve ser reconhecida.

#5. Hiperémese de Canábis
A síndrome de hiperémese induzida por canábis é uma condição ainda pouco conhecida pelo público, mas cada vez mais descrita na literatura médica.
Surge sobretudo em consumidores crónicos e com uso
A síndrome de hiperémese induzida por canábis é uma condição ainda pouco conhecida pelo público, mas cada vez mais descrita na literatura médica.
Surge sobretudo em consumidores crónicos e com uso intenso de canábis e pode levar a desidratação severa e necessidade de cuidados hospitalares.
Caracteriza-se por episódios cíclicos de náuseas intensas, vómitos persistentes e dor abdominal, que paradoxalmente melhoram com banhos quentes. A única cura conhecida é a abstinência total da canábis.
Este é um exemplo claro de como o uso excessivo pode ter efeitos adversos inesperados e severos no corpo.
A causa exacta ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada com a forma como o THC interage com o sistema endocanabinoide quando exposto de forma prolongada. É uma vulnerabilidade real e muitas vezes subestimada.
#6. Psicose, Esquizofrenia e Saúde Mental
A canábis medicinal tem sido estudada com resultados promissores em sintomas como ansiedade, depressão, PTSD e dor crónica.
No entanto, também pode agravar esses mesmos sintomas em algumas pessoas:
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Declínio da Memória: Observou-se um impacto negativo na memória de curto prazo e funções executivas.
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Ansiedade: Embora muitos usem a canábis para tratar a ansiedade, doses elevadas ou uso crónico podem, paradoxalmente, aumentar os níveis de ansiedade e ataques de pânico.
Existem medicamentos aprovados pelo FDA — como Epidiolex (CBD), Marinol/Syndros (THC sintético) e Cesamet (THC sintético) — mas são usados para epilepsia grave, náuseas da quimioterapia e perda de apetite, não para doenças psiquiátricas.
É importante notar que os medicamentos aprovados pelo FDA contêm canabinoides sintéticos (como o Dronabinol ou a Nabilona). Embora estas substâncias tentem mimetizar os compostos da planta, o organismo processa-as de forma diferente dos fitocanabinoides naturais. E podem causar uma disrupção na forma como organismo funciona naturalmente, para a homoestase.
No curto prazo, estes fármacos são eficazes a atenuar sintomas graves; contudo, a longo prazo, podem surgir efeitos colaterais tão impactantes como a própria condição que tentam tratar, uma vez que o corpo nem sempre tolera compostos sintéticos com a mesma eficácia que a planta completa (o chamado 'efeito entourage').
Cada pessoa tem um sistema endocanabinoide único e reage de forma diferente à mesma dose. Em indivíduos vulneráveis, o uso pode aumentar o risco de psicose ou descompensação mental.
#7. Potência em THC
O THC tem potencial terapêutico em várias condições — dor crónica, náuseas da quimioterapia, doenças neurodegenerativas, inflamação, glaucoma e até perturbações do sono.
Mas a potência actual das variedades disponíveis no mercado é muito superior à de décadas anteriores. Isso aumenta o risco de efeitos adversos, incluindo ansiedade, ataques de pânico, dependência e alterações cognitivas.
Mesmo sendo natural, o THC pode ser demasiado forte para algumas pessoas e bem tolerado por outras. A mesma dose pode ser alívio para uns e gatilho para outros — e essa incerteza é, por si só, uma vulnerabilidade.
Referências
Escrito com a ajuda da IA.
https://www.frontiersin.org/journals/psychiatry/articles/10.3389/fpsyt.2020.00859/full
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4034098/
https://www.hempathiclight.com/blogs/news/developing-cannabis-tolerance
AVISO: Este artigo tem carácter unicamente informativo e não deve ser interpretado como aconselhamento médico. Qualquer decisão relacionada ao uso de canábis medicinal deve ser tomada exclusivamente sob orientação do seu médico assistente.